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As fraudes no programa Segundo Tempo são investigadas há mais de três anos, mas
é a primeira vez que o ministro é apontado diretamente como mentor das
irregularidades
Apesar de sua assessoria ter sido procurada na quinta-feira por VEJA, só após o
fechamento da revista, na noite de sexta-feira, é que Orlando Silva fez contato
com a reportagem. Antes, seus assessores haviam pedido que as perguntas fossem
encaminhadas por escrito.
Em VEJA desta semana
Militante do PCdoB acusa Orlando Silva de montar esquema de corrupção
Segundo o policial militar João Dias Ferreira, ministro do Esporte recebeu propina nas dependências do ministério
NA MIRA
As fraudes no programa Segundo Tempo são investigadas há mais de três anos, mas
é a primeira vez que o ministro é apontado diretamente como mentor das
irregularidades
No ano passado, a polícia de Brasília prendeu cinco pessoas acusadas de
desviar dinheiro de um programa criado pelo governo federal para incentivar
crianças carentes a praticar atividades esportivas. O grupo era acusado de
receber recursos do Ministério do Esporte através de organizações não
governamentais (ONGs) e embolsar parte do dinheiro. Chamava atenção o fato de
um dos principais envolvidos ser militante do Partido Comunista do Brasil
(PCdoB), ex-candidato a deputado e amigo de pessoas influentes e muito próximas
a Orlando Silva, o ministro do Esporte. Parecia um acontecimento isolado, uma
coincidência. Desde então, casos semelhantes pipocaram em vários estados, quase
sempre tendo figuras do PCdoB como protagonistas das irregularidades. Agora,
surgem evidências mais sólidas daquilo que os investigadores sempre desconfiaram:
funcionava dentro do Ministério do Esporte uma estrutura organizada pelo
partido para desviar dinheiro público usando ONGs amigas como fachada. E o mais
surpreendente: o ministro Orlando Silva é apontado como mentor e beneficiário
do esquema.
Em entrevista a VEJA, o policial militar João Dias Ferreira, um dos
militantes presos no ano passado, revela detalhes de como funciona a engrenagem
que, calcula-se, pode ter desviado mais de 40 milhões de reais nos últimos oito
anos. Dinheiro de impostos dos brasileiros que deveria ser usado para comprar
material esportivo e alimentar crianças carentes, mas que acabou no bolso de
alguns figurões e no caixa eleitoral do PCdoB. O relato do policial impressiona
pela maneira rudimentar como o esquema funcionava. As ONGs, segundo ele, só
recebiam os recursos mediante o pagamento de uma taxa previamente negociada que
podia chegar a 20% do valor dos convênios. O partido indicava desde os
fornecedores até pessoas encarregadas de arrumar notas fiscais frias para justificar
despesas fictícias. O militar conta que Orlando Silva chegou a receber,
pessoalmente, dentro da garagem do Ministério do Esporte, remessas de dinheiro
vivo provenientes da quadrilha: “Por um dos operadores do esquema, eu soube na
ocasião que o ministro recebia o dinheiro na garagem” (veja a entrevista na
edição de VEJA desta semana). João Dias dá o nome da pessoa que fez a
entrega. Parte desse dinheiro foi usada para pagar despesas da campanha
presidencial de 2006.
O programa Segundo Tempo é repleto de boas intenções. Porém, há pelo menos
três anos o Ministério Público, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da
União desconfiam de que exista muita coisa além da ajuda às criancinhas. Uma
das investigações mais completas sobre as fraudes se deu em Brasília. A
capital, embora detentora de excelentes indicadores sociais, foi muito bem
aquinhoada com recursos do Segundo Tempo, especialmente quando o responsável
pelo programa era um político da cidade, o então ministro do Esporte Agnelo
Queiroz, hoje governador do Distrito Federal. Coincidência? A investigação
mostrou que não. A polícia descobriu que o dinheiro repassado para entidades de
Brasília seguia para entidades amigas do próprio Agnelo, que por meio de notas
fiscais frias apenas fingiam gastar a verba com crianças carentes. Agnelo,
pessoalmente, foi acusado de receber dinheiro público desviado por uma ONG
parceira. O soldado João Dias, amigo e aliado político de Agnelo, controlava
duas delas, que receberam 3 milhões de reais, dos quais dois terços teriam
desaparecido, de acordo com o inquérito. Na ocasião, integrantes confessos do
esquema concordaram em falar à polícia. Contaram em detalhes como funcionava a
engrenagem. O soldado João Dias, porém, manteve-se em silêncio sepulcral — até
agora.
Na entrevista, o policial afirma que, na gestão de Agnelo Queiroz no
ministério, o Segundo Tempo já funcionava como fonte do caixa dois do PCdoB — e
que o gerente do esquema era o atual ministro Orlando Silva, então secretário
executivo da pasta. Por nota, a assessoria do governador Agnelo disse que as
relações entre ele e João Dias se limitaram à convivência partidária, que nem
sequer existe mais. VEJA entrevistou também o homem que o policial aponta como
o encarregado de entregar dinheiro ao ministro. Trata-se de Célio Soares
Pereira, 30 anos, que era uma espécie de faz-tudo, de motorista a mensageiro,
do grupo que controlava a arrecadação paralela entre as ONGs agraciadas com os
convênios do Segundo Tempo. “Eu dirigia e, quase todo mês, visitava as
entidades para fazer as cobranças”, contou. Casado, pai de seis filhos, curso
superior de direito inconcluso, Célio trabalha atualmente como gerente de uma
das unidades da rede de academias de ginástica que o soldado João Dias possui.
Célio afirma que, além do episódio em que entregou dinheiro ao próprio Orlando
Silva, esteve pelo menos outras quatro vezes na garagem do ministério para
levar dinheiro. “Nessas vezes, o dinheiro foi entregue a outras pessoas. Uma
delas era o motorista do ministro”, disse a VEJA. O relato mais impressionante
é de uma cena do fim de 2008. “Eu recolhi o dinheiro com representantes de
quatro entidades aqui do Distrito Federal que recebiam verba do Segundo Tempo e
entreguei ao ministro, dentro da garagem, numa caixa de papelão. Eram maços de notas
de 50 e 100 reais”, conta.
Célio afirma que um dirigente do PCdoB, Fredo Ebling, era encarregado de
indicar a quem, quando e onde entregar dinheiro. “Ele costumava ir junto nas
entregas. No dia em que levei o dinheiro para o ministro, ele não pôde ir. Me
ligou e disse que era para eu estar às 4 e meia da tarde no subsolo do
ministério e que uma pessoa estaria lá esperando. O ministro estava sentado no
banco de trás do carro oficial. Ele abriu o vidro e me cumprimentou. O
motorista dele foi quem pegou a caixa com o dinheiro e colocou no porta-malas
do carro”, afirma. Funcionário de carreira do Congresso Nacional, chefe de
gabinete da liderança do partido na Câmara dos Deputados, Fredo Ebling é um
quadro histórico entre os camaradas comunistas. Integrante da Secretaria de
Relações Internacionais do PCdoB nacional, ele foi candidato a senador e a
deputado por Brasília. Em 2006, conseguiu um lugar entre os primeiros suplentes
e, no final da legislatura passada, chegou a assumir por vinte dias o cargo de
deputado federal. João Dias diz que Fredo Ebling era um dos camaradas
destacados por Orlando Silva para coordenar a arrecadação entre as entidades. O
policial relata um encontro em que Ebling abriu o bagageiro de seu Renault
Mégane e lhe mostrou várias pilhas de dinheiro. “Ele disse que ia levar para o
ministro”, afirma. Ebling nega. “Eu não tinha esse papel”, diz. O ex-deputado
diz que conhece João Dias, mas não se lembra de Célio.
A lua de mel do policial com o ministério e a cúpula comunista começou a
acabar em 2008, quando passaram a surgir denúncias de irregularidades no
Segundo Tempo. Ele afirma que o ministério, emparedado pelas suspeitas, o
deixou ao léu. “Eu tinha servido aos interesses deles e de repente, quando se
viram em situação complicada, resolveram me abandonar. Tinham me prometido que
não ia ter nenhum problema com as prestações de contas.” O policial diz que
chegou a ir fardado ao ministério, mais de uma vez, para cobrar uma solução,
sob pena de contar tudo. No auge da confusão, ele se reuniu com o próprio
Orlando Silva. “O Orlando me prometeu que ia dar um jeito de solucionar e que
tudo ia ficar bem”, diz. O ministro, por meio de nota, confirma ter se
encontrado com o policial. Diz que o recebeu em audiência, mas nega que
soubesse dos desvios ou de cobrança de propina. “É uma imputação falsa,
descabida e despropositada. Acionarei judicialmente os caluniadores”, afirmou o
ministro, em nota.
Em paralelo às investigações oficiais, João Dias respondeu por desvio de
conduta na corporação militar. A Polícia Militar de Brasília oficiou ao
ministério em busca de informações sobre os convênios. A resposta não foi nada
boa para o soldado: dizia que ele estava devendo 2 milhões aos cofres públicos
por irregularidades nas prestações de contas. João Dias então subiu o tom das
ameaças. Em abril de 2008, quando foi chamado à PM para dar satisfações e tomou
conhecimento do ofício, ele procurou pessoalmente o então secretário nacional
de Esporte Educacional, Júlio Cesar Filgueira, para tirar satisfação. O encontro
foi na secretaria. O próprio João Dias conta o que aconteceu: “Eu fui lá armado
e dei umas pancadas nele. Dei várias coronhadas e ainda virei a mesa em cima
dele. Eles me traíram”. Júlio Filgueira, também filiado ao PCdoB de Orlando
Silva, era responsável por tocar o programa. A pressão deu certo: o ministério
expediu um novo ofício à Polícia Militar amenizando a situação de Dias. O
documento pedia que fosse desconsiderado o relatório anterior. A agressão que
João Dias diz ter cometido dentro da repartição pública passou em branco. “Eles
não tiveram coragem de registrar queixa porque ia expor o esquema”, diz o
soldado. Indagado por VEJA, o gabinete de Orlando Silva respondeu
que “não há registro de qualquer agressão nas dependências do Ministério do
Esporte envolvendo estas pessoas”. O ex-secretário Júlio Filgueira, que deixou
o cargo pouco depois da confusão, confirma ter recebido o policial mas nega que
tenha sido agredido. “Ele estava visivelmente irritado, mas essa parte da
agressão não existiu”, diz. A polícia e o Ministério Público têm uma excelente
oportunidade para esclarecer o que se passava no terceiro tempo no
Ministério do Esporte. As testemunhas, como se viu, estão prontas para entrar
em campo.
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Governo
Ministro Orlando Silva rebate acusação e se diz 'perplexo'
Segundo policial militar, ministro do Esporte recebeu propina no ministério
O ministro do Esporte, Orlando Silva, rebateu as acusações de foi o mentor e beneficiário de um esquema de desvio de dinheiro do
programa Segundo Tempo. Na edição que chega neste sábado às
bancas, a revista VEJA traz uma entrevista com o policial João Dias Ferreira,
um militante do PC do B que também é dono de uma ONG que sumiu com 2 milhões de
reais que deveriam ter sido usados na compra material esportivo e alimentos
para crianças carentes.
De Guadalajara, no México, onde participou da cerimônia de abertura dos
Jogos Panamericanos, Orlando Silva se disse chocado com a denúncia e
classificou o denunciante como “bandido”. O ministro afirmou que tinha
conhecimento de que o policial ameaçara fazer denúncias públicas envolvendo sua
pasta e admitiu ter recebido João Dias no ministério, a pedido de seu
antecessor na pasta e atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.
“Confesso que eu estou chocado”, disse. “Estou estupefato, perplexo. Um
bandido fala e eu que tenho que provar que não fiz, meu Deus?”, afirmou o
comunista, informando que vai processar o policial.
O ministro disse que sabia das ameaças do policial há algum tempo. “Durante
um ano esse sujeito procurou gente do ministério e fez ameaça, insinuação. E
qual foi a nossa posição? Amigo, denuncie, fale o que você quiser. Por quê?
Porque como nós temos convicção de que o que foi feito foi o correto, nós não tememos.
E falávamos para ele: não nos interessa. Ele falava que existia um dossiê, que
ia denunciar... A resposta era: faça, procure o Ministério Público, a polícia,
a justiça, faça o que você quiser fazer”, afirmou.
Indagado sobre a razão pela qual o ministério não comunicou as ameaças à
polícia, o ministro disse que “imaginou” que um de seus subordinados pudesse
ter levado o assunto às autoridades competentes. “Chegamos a falar sobre essa
hipótese.”
O ministério não registrou queixa das ameaças nem da agressão física que o
próprio policial diz ter cometido contra Júlio Filgueira, ex-secretário
nacional de Esporte Educacional do ministério. João Dias disse ter dado socos e
coronhadas em Filgueira, nas dependências da secretaria.
Sobre o encontro que teve com o soldado, Orlando Silva explicou: “Estive com
ele uma única vez, quando o Agnelo recomendou que eu recebesse ele, que era
presidente de uma federação esportiva em Brasília e ele propôs fazer a tal
parceria com o programa Segundo Tempo. Foi no gabinete, em audiência. Não foi
num lugar escuso, sombrio. E quando ele não cumpriu aquilo que estava
determinado, eu assinei a Tomada de Contas Especial, eu mandei para o Tribunal
de Contas apurar”, declarou.
Orlando Silva desafiou o policial a provar o que diz e sugeriu que o
militar, seu colega de partido, enriqueceu às custas de corrupção. “Vale a pena
olhar qual é a minha declaração de renda, qual é meu patrimônio, qual é minha
conta bancária e qual é a dele”. Por fim, emendou, enigmático: “Qual é a
(conta) dele e de outras pessoas que têm relação (com o soldado)”.
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Acusador de Orlando Silva
diz ter gravações que comprovam corrupção
Militante do PC do B que revelou esquema de
corrupção a VEJA mantém afirmações e responde a ministro, que o chamou de
"bandido"
O policial e militante do PC do B João Dias assegurou a VEJA ter gravações
que comprovam o esquema de corrupção no Ministério do Esporte, revelado por ele
em reportagem da edição desta semana da revista. Na manhã deste domingo, Dias
publicou em seu blog uma espécie de carta aberta ao ministro. No texto, o
policial militar afirma: "O que falei para a revista está devidamente
gravado e será apresentado às autoridades competentes". Ele não se refere
apenas à gravação de sua entrevista a VEJA, mas, também, a arquivos em áudio
que estão em seu poder e que, assevera, provam as acusações que faz à cúpula do
Ministério do Esporte.
Dias também usou o blog para desafiar o ministro do Esporte, Orlando Silva,
e seu partido. Diz que está ansioso para apresentar "as verdades
materializadas" e para se confrontar com Silva em uma investigação. No
texto, o policial militar responde ao ministro, que o
chamou de "bandido" e desqualificou as revelações feitas
pelo colega de partido a VEJA. De acordo com Dias, o Ministério do Esporte
abriga um grande esquema de corrupção, criado para alimentar os caixas de
campanha do PC do B. A reportagem mostra como o próprio Orlando Silva recebeu
uma caixa repleta de dinheiro vivo.
Em mensagem publicada neste fim de semana, Dias reafirma o que disse à
revista e diz ter sido procurado por um emissário do ministro pouco antes da
publicação da matéria. "E se tu não deves nada, por que mandou seu
secretario (sic) nacional Ricardo Leiser tentar me localizar na sexta feira,
quando soube da matéria, o que ele queria comigo? Fazer mais um daqueles
acordos nao cumpridos?", diz o texto.
Dias devolveu o adjetivo usado pelo ministro para tentar esvaziar as
denúncias: "Eu não sou bandido, bandido é você e sua quadrilha, que faz e
refaz qualquer processo do ministério de acordo com sua conveniência",
escreveu o policial.
Em uma frase postada em seguida, o militante do PC do B também ameaça a
cúpula de seu partido, que divulgou um comunicado defendendo Orlando Silva.
"Era bom o PC do B nacional ficar calado antes de sair em defesa do
Orlando sumariamente". O policial garantiu ainda estar ansioso para ser
chamado a público para falar sobre suas acusações.
Fonte: Revista VEJA. 15/10/2011
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Entenda o esquema de desvios montado dentro do Ministério dos Esportes
Nossos repórteres investigaram durante um mês denúncias contra a ONG “Pra frente Brasil”, que atua no interior de São Paulo.
A ONG é suspeita de usar empresas de fachada para desviar dinheiro público. A reportagem é de Mauricio Ferraz e Bruno Tavares.
Karina mora em Jaguariúna, interior de São Paulo. Em 2003, ela criou na cidade a organização não governamental “Bola Pra Frente”, com o objetivo de levar esporte para crianças e adolescentes carentes. Em 2008, se elegeu vereadora pelo PC do B. E este ano, na Câmara de Jaguariúna, deixou bem claro que manda na ONG. “Eu, na minha entidade, eu sei tudo o que acontece. E sou responsável por tudo o que acontece”, declarou.
A ONG - que hoje se chama “Pra Frente Brasil” - atua em 17 municípios do estado de São Paulo. Entre as atividades oferecidas, está o programa “Segundo Tempo”, do Ministério do Esporte. Considerado estratégico pelo governo federal, esse programa começou em 2003, com o objetivo de democratizar o acesso ao esporte. R$ 750 milhões já foram repassados para prefeituras, estados e organizações não governamentais. Só a entidade da ex-jogadora Karina recebeu cerca de R$28 milhões nos últimos seis anos. É a ONG que mais ganhou dinheiro do Ministério do Esporte. Parte dessa verba seria usada na compra de lanches. A principal fornecedora de lanches para a entidade é a empresa RNC, de Campinas. Um dos sócios da RNC é Reinaldo Morandi, que diz ser assessor de Karina. A empresa de Reinaldo foi contratada pela ONG “Pra Frente Brasil” e recebeu mais de R$10 milhões, entre 2007 e 2010. Mas ele não quer conversa. Nosso produtor encontra Reinaldo, conhecido como Urso, na Câmara dos Vereadores de Jaguariúna. Desta vez, com uma câmera escondida:
fantastico.globo.com
Nossos
repórteres investigaram durante um mês denúncias contra a ONG “Pra frente
Brasil”, que atua no interior de São Paulo. A ONG é suspeita de usar empresas de
fachada para desviar dinheiro público...
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